domingo, 28 de junho de 2009

JULGAR O PRÓXIMO


Diz que errar é humano
Velho e conhecido adágio,
A confirmar o apanágio,
Sobre o qual não há engano,

De que sempre é pecador
Todo vivente ser mortal,
Sem que se possa, afinal,
Arvorar em grão julgador,

Nenhum outro semelhante,
Seja leigo, mestre ou doutor,
Pois cabe só ao Criador
O julgamento relevante.

Nenhum há, na Terra, portanto,
Que venha a ser importante,
A ponto de ter a bastante
Autoridade para tanto.

Há que se ter a humildade
Necessária e suficiente
A que se veja em toda a gente
Um igual, a bem da verdade.

É sempre bom procedimento
Ouvir-se o arrependido,
Fazendo-o compreendido,
Sem emitir julgamento.

O erro do nosso irmão,
Apregoa sensata voz,
Tanto a ele quanto a nós,
Serve de preciosa lição.

Assim, que aqui fique patente
O mais correto entendimento,
De se não impor julgamento
Àquele que, sinceramente,

Se reconhece em pecado,
A si próprio recriminando,
Já que não se sabe quando,
Mas vamos todos agir errado.

Mario Roberto Guimarães

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